Aula 02Prótese e Órtese·Fisioterapia — 4º Termo·120 min
Classificação das Órteses
Classificar não é preencher uma tabela. Cada eixo de classificação corresponde a uma decisão que
você vai tomar na frente do paciente — e a prescrição só fica completa quando as cinco decisões
estão escritas. Esta aula transforma a taxonomia em critério.
Prof. Fernando Henrique Alves BeneditoCREFITO-3 159682-FUniSALESIANO AraçatubaConteúdo revisado em 2026
Abertura 5 min
Da definição para a decisão
Na Aula 01 estabelecemos o que é uma órtese, como ela aplica forças e como se chama.
Hoje respondemos à pergunta seguinte: diante de um paciente concreto, que tipo de órtese
é essa que eu vou pedir — e como escrevo isso de um jeito que a oficina execute exatamente o que eu projetei.
Ao final desta aula você deve conseguir
1. Classificar qualquer órtese nos cinco eixos e justificar cada escolha.
2. Diferenciar órtese estática, estática seriada, estática progressiva e dinâmica — e escolher entre elas.
3. Usar a linguagem de controle articular (livre, assistir, resistir, bloquear, travar) na prescrição.
4. Decidir entre pré-fabricada, ajustável e sob medida com base em critério clínico e em evidência.
5. Descrever as rotas de confecção e seus parâmetros técnicos reais de temperatura e tempo.
6. Conduzir a prova e a entrega com checklist, sem depender da memória.
Recapitulação rápida da Aula 01
Órtese compensa deficiências de estrutura e função de um segmento que existe (ISO 8549-1:2020).
A sigla é montada no sentido crânio-caudal terminando em O. Toda órtese trabalha por um
sistema de três pontos, e a pressão de interface é força dividida por área — com a referência
dos 32 mmHg de fechamento capilar sempre no horizonte.
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Bloco 1 10 min
Cinco eixos, cinco perguntas
A apostila clássica divide as órteses em dois grupos: quanto à funcionalidade e quanto ao sistema de
confecção. É um bom começo, mas fica curto na hora de escrever a prescrição. Na prática, você responde
a cinco perguntas — e cada resposta vira uma linha do documento.
1
Segmento anatômico ISO 8549-3:2020
Que partes do corpo o dispositivo envolve?
FO, AFO, KAFO, HKAFO, LSO, TLSO, WHO, EWHO — a sigla que você aprendeu na Aula 01.
Define a linguagem comum entre quem prescreve, quem confecciona e quem audita o processo.
2
Função mecânica Nomenclatura ASHT
A órtese impede movimento, devolve movimento ou substitui movimento?
Estática, estática seriada, estática progressiva ou dinâmica.
É o eixo que define a dose e o desfecho. Ganhar amplitude e manter posição exigem projetos opostos.
3
Controle articular ISO 13404
O que acontece em cada articulação envolvida?
Movimento livre, assistido, resistido, bloqueado em um sentido ou travado.
É o que você efetivamente escreve na prescrição. Sem isso, a oficina adivinha.
4
Origem da confecção Prática clínica
De onde vem o dispositivo?
Pré-fabricada, pré-fabricada ajustável ou sob medida.
Determina custo, prazo, precisão do ajuste e via de acesso — SUS, convênio ou particular.
5
Tempo de uso Prática clínica
Por quanto tempo essa pessoa vai usar?
Temporária ou definitiva.
Um dispositivo para três semanas e outro para três anos não devem ser feitos do mesmo material.
O teste da frase única
Uma classificação completa cabe em uma frase. Compare:
Incompleto: “AFO à direita.”
Completo: “AFO à direita, sob medida, definitiva, estática quanto à função, com bloqueio de
flexão plantar em 0° e dorsiflexão livre até 10°.” Aqui os cinco eixos estão presentes e a oficina não
precisa adivinhar nada.
Bloco 2 20 min
Eixo funcional: quatro categorias, não duas
O material antigo separa órteses em estáticas e dinâmicas. A literatura de terapia da mão trabalha há
décadas com quatro categorias, porque a divisão em duas esconde a distinção mais útil de todas:
a diferença entre manter uma posição e ganhar amplitude — e, dentro do ganho de
amplitude, entre fazê-lo com elástico ou sem.
As quatro categorias em um eixo contínuo. À esquerda, dispositivos que apenas mantêm
posição. À direita, dispositivos que geram força. As duas categorias do meio existem para o mesmo
objetivo — recuperar amplitude — mas por caminhos mecânicos diferentes.
Imobiliza
Estática
Static / immobilization
Sem partes móveis. Mantém o segmento em uma posição definida e não permite movimento na articulação envolvida.
Objetivo
Repouso, proteção, imobilização, prevenção de deformidade e posicionamento.
Exemplos
Tala de punho em posição neutra na síndrome do túnel do carpo; órtese de repouso da mão em artrite reumatoide; AFO sólida em pé equino espástico; colar cervical.
Aprofundar
É a categoria mais prescrita e a mais fácil de errar por excesso. A posição escolhida é o tratamento inteiro: uma tala de punho feita em 30° de extensão porque “ficou mais firme” aumenta a pressão dentro do túnel do carpo em vez de reduzi-la — a posição de menor pressão intratunelar fica próxima da neutra, entre 0° e 15° de extensão.
A pergunta que evita o erro: qual estrutura eu quero em repouso, e qual posição coloca essa estrutura em menor tensão? A resposta vem da anatomia, não da estabilidade da peça.
Custo biológico: imobilização produz rigidez, atrofia por desuso e alterações no tecido conjuntivo em poucas semanas. Por isso toda órtese estática precisa de prazo, janelas de retirada e exercício associado — não existe “usar sempre” sem consequência.
Ganha amplitude em etapas
Estática seriada
Serial static
Também não tem partes móveis, mas é refeita ou remodelada periodicamente, cada vez posicionando o tecido um pouco mais próximo do fim da amplitude disponível.
Objetivo
Aumentar comprimento tecidual e amplitude passiva em contraturas e encurtamentos.
Exemplos
Gessos seriados em contratura de cotovelo pós-trauma; órteses seriadas de dedo em contratura da interfalângica proximal; gesso seriado de tornozelo na paralisia cerebral após aplicação de toxina botulínica.
Aprofundar
O princípio é o low-load prolonged stretch: tensão baixa aplicada por tempo longo produz remodelamento do colágeno, enquanto tensão alta por tempo curto produz apenas deformação elástica — e microlesão.
Ritmo típico: a cada 3 a 7 dias o dispositivo é removido, a articulação é reavaliada e mobilizada, e uma nova peça é confeccionada na nova posição de fim de amplitude.
Vantagem sobre a dinâmica: não depende da colaboração do paciente para regular tensão, o que a torna a escolha preferencial em crianças, em pessoas com alteração cognitiva e em quadros com espasticidade — situações em que um elástico mal ajustado vira estímulo para mais espasticidade.
Sinal de alerta: dor que persiste depois de 20 a 30 minutos com o dispositivo, ou perda de amplitude entre trocas, indica tensão excessiva. Reduza a posição, não insista.
Ganha amplitude com ajuste fino
Estática progressiva
Static progressive
A mesma peça permanece, mas incorpora um componente não elástico — rosca, catraca, cinta inextensível — que permite avançar a posição em incrementos controlados.
Objetivo
Aumentar amplitude passiva quando a articulação tem um fim de amplitude firme e definido.
Exemplos
Órtese de punho com esticador rosqueado após fratura de rádio distal; órtese de cotovelo com catraca em rigidez pós-operatória; dispositivos de flexão de joelho após artroplastia com artrofibrose.
Aprofundar
A diferença em relação à dinâmica é conceitual e importante: o componente não elástico mantém a articulação na posição de fim de amplitude e permite que o tecido relaxe por deformação viscoelástica, em vez de puxá-la continuamente contra a resistência.
Consequência prática: como não há força elástica constante, tolera-se sessões mais longas com menos desconforto e menos reação inflamatória. Costuma ser melhor tolerada que a dinâmica em articulações irritáveis.
Regime habitual: ciclos de 20 a 30 minutos, várias vezes ao dia, avançando o ajuste apenas quando a posição anterior deixou de gerar tensão. Quem aperta a rosca todo dia por hábito produz inflamação, não amplitude.
Estado da evidência: os ensaios que comparam estática progressiva com dinâmica em rigidez de punho e joelho ainda são pequenos e heterogêneos. Não há superioridade estabelecida de uma sobre a outra — a escolha se apoia em tolerância, colaboração e disponibilidade.
Assiste o movimento
Dinâmica
Dynamic
Base rígida acoplada a um elemento que gera força ativa e contínua — mola, elástico, banda de borracha — sobre uma base estática.
Objetivo
Assistir movimento ausente ou fraco, manter amplitude durante a cicatrização e permitir mobilização precoce protegida.
Exemplos
Órtese de paralisia do nervo radial com outrigger e faixas elásticas; órteses de mobilização precoce após reparo de tendão flexor; AFOs com articulação e mola de dorsiflexão.
Aprofundar
A órtese dinâmica é a única das quatro que efetivamente substitui uma função motora ausente. Na paralisia radial, ela devolve a extensão de punho e metacarpofalângicas enquanto o paciente conserva a flexão ativa — a mão volta a pegar e a soltar objetos enquanto o nervo se recupera.
Erro de nomenclatura frequente: chamar de dinâmica toda órtese articulada. Uma AFO articulada com batente que apenas impede flexão plantar não gera força — ela é estática do ponto de vista mecânico, apesar de ter dobradiça. Dinâmica é a que aplica força ativa.
Regra de força: a linha de tração deve incidir a 90° em relação ao segmento mobilizado; fora disso, parte da força vira compressão ou distração articular. E a força útil é baixa — na ordem de 100 a 300 gramas por dedo. Mais que isso não acelera nada e machuca.
Contraindicação relativa: espasticidade importante. O estiramento elástico contínuo pode disparar resposta reflexa e piorar o padrão. Nesses casos, prefira estática seriada.
Confusões que custam caro na prova e na clínica
1. Articulada ≠ dinâmica. Dobradiça sem elemento elástico não gera força.
2. Estática progressiva ≠ dinâmica. A primeira usa componente não elástico e mantém a
posição; a segunda usa elástico e traciona continuamente.
3. Estática seriada ≠ estática. A seriada é uma estratégia de mobilização executada com peças
estáticas sucessivas — o objetivo é ganhar amplitude, não manter posição.
Bloco 3 10 min
O que acontece em cada articulação
Este é o vocabulário que a norma ISO 13404 padroniza e que a oficina realmente lê. Uma mesma AFO pode
ter controles diferentes em planos diferentes — e é exatamente isso que a prescrição precisa dizer.
Livre free
A articulação se move sem restrição imposta pela órtese naquele plano.
AFO articulada com dorsiflexão livre para permitir avanço da tíbia na fase de apoio médio.
Assistido assist
A órtese aplica força que ajuda um movimento fraco ou ausente.
Mola de dorsiflexão que eleva o pé durante o balanço no pé caído.
Resistido resist
A órtese opõe resistência a um movimento sem impedi-lo por completo.
Amortecimento posterior que resiste à flexão plantar rápida logo após o contato inicial.
Bloqueado stop
O movimento é permitido até um ângulo e interrompido a partir dele, em um sentido.
Batente que impede flexão plantar além de 0°, mas libera dorsiflexão.
Travado lock/hold
Nenhum movimento é permitido; pode ser destravável para sentar.
Trava em anel no joelho de uma KAFO, liberada para a posição sentada.
Variável variable
O grau de controle pode ser reajustado ao longo do tratamento.
Joelheira pós-operatória com amplitude liberada progressivamente semana a semana.
NormaA ISO 13404 está sendo reescrita — e vale saber disso
A ISO 13404:2007 tratava, em documento único, da categorização e descrição de órteses externas e
seus componentes. O comitê ISO/TC 168 dividiu a norma por região corporal: a
ISO 13404-1:2024 trata das órteses de membro inferior, e as partes 2 (membro superior)
e 3 (coluna e cabeça) estavam em elaboração.
Por que isso importa para você: a nova estrutura especifica usos e funções
além da descrição, o que aproxima a norma do raciocínio clínico. Se você for escrever protocolo
institucional ou artigo, cite a parte correspondente ao segmento e confirme a versão vigente —
normas ISO são revisadas periodicamente.
AplicaçãoTraduzindo controle em texto de prescrição
Escreva sempre articulação, plano, sentido e ângulo. Alguns exemplos prontos:
Pé caído flácido: “tornozelo — flexão plantar bloqueada em 0°, dorsiflexão livre.”
Pós-reconstrução do LCA, 3ª semana: “joelho — amplitude variável, liberada de 0° a 90°, extensão bloqueada em 0°.”
Paresia de dorsiflexores com amplitude preservada: “tornozelo — dorsiflexão assistida por mola; flexão plantar resistida.”
KAFO para marcha em lesão medular incompleta: “joelho — travado em extensão durante a marcha, com destrave manual para sentar.”
Detalhe que muda o resultado: “dorsiflexão livre” e “dorsiflexão livre até 10°” são
prescrições diferentes. A primeira permite avanço total da tíbia na fase de apoio; a segunda protege
um tríceps sural em recuperação. Ambigüidade aqui é a origem mais comum de dispositivo devolvido.
Bloco 4 18 min
De onde vem o dispositivo
Três origens possíveis, com implicações muito diferentes de custo, prazo e precisão. A decisão entre
elas é clínica, não administrativa — mas precisa considerar a realidade do serviço e do paciente.
Pré-fabricada
Pronta para uso, em tamanhos padronizados
PrazoImediato
CustoBaixo
AjusteLimitado ao tamanho
Produzida industrialmente em faixas de tamanho, geralmente com materiais flexíveis: tecidos elásticos, neoprene, polímeros injetados e estruturas metálicas leves.
Exemplos típicos
Colares cervicais, faixas lombares, tornozeleiras, joelheiras elásticas, tipoias, calcanheiras de absorção de impacto, imobilizadores de punho de prateleira.
Quando escolher
Quadros agudos que exigem início imediato, condições autolimitadas, testes terapêuticos antes de investir em peça sob medida, e situações em que a anatomia é próxima do padrão.
Onde se erra
“Pré-fabricada” não significa “serve em qualquer um”. O dispositivo precisa se ajustar ao segmento com a mesma exigência de uma peça sob medida: um colar cervical alto demais estende a cervical em vez de apoiá-la, e uma faixa lombar frouxa não gera pressão intra-abdominal nenhuma. Meça o paciente, não estime o tamanho.
Pré-fabricada ajustável
Base industrial adaptada ao paciente
PrazoImediato a poucas horas
CustoMédio
AjusteBom, dentro dos limites da base
Parte de uma estrutura industrial que incorpora recursos de regulagem: passantes e fivelas, altura de hastes por parafuso, angulação de articulações, painéis moldáveis a calor.
Exemplos típicos
Tipoias com regulagem de altura e abdução, órteses de imobilização de joelho com ajuste de amplitude, walkers de descarga, órteses de punho com tala metálica moldável, coletes com estrutura regulável.
Quando escolher
É a escolha de melhor custo-benefício em boa parte da prática. Entrega aplicação imediata com ajuste razoável e permite acompanhar a evolução do quadro sem refazer a peça.
Onde se erra
O recurso de ajuste só serve se alguém realmente ajustar. Dispositivo entregue na regulagem de fábrica é, na prática, um pré-fabricado com preço maior. Registre no prontuário quais ajustes você fez e por quê — isso também é ato profissional.
Sob medida
Projetada e construída para uma pessoa
PrazoDias a semanas
CustoAlto
AjusteMáximo
Confeccionada a partir de medidas, moldes ou escaneamento do próprio paciente, com geometria definida pelo objetivo terapêutico.
Exemplos típicos
AFOs e KAFOs em sequelas neurológicas, coletes TLSO para escoliose, palmilhas de contato total no pé diabético, órteses de mão pós-cirúrgicas, dispositivos para anatomias fora do padrão.
Quando escolher
Quando existe deformidade, assimetria, área que precisa de alívio geométrico específico, sensibilidade comprometida, ou quando o dispositivo será usado por meses a anos com carga alta.
Onde se erra
Custo e prazo maiores, e — em criança em crescimento — obsolescência programada. A peça sob medida só entrega o que promete se a prova for feita com rigor: um molde excelente arruinado por uma prova apressada resulta em dispositivo caro e abandonado.
Pré-fabricada ou sob medida? Árvore de decisão
Responda pensando em um paciente concreto. A recomendação se atualiza a cada resposta.
1. Existe deformidade, assimetria ou anatomia fora do padrão no segmento?
2. A sensibilidade protetora do segmento está preservada?
3. Por quanto tempo o dispositivo será usado?
4. Qual a demanda mecânica — massa corporal e nível de atividade?
5. Há urgência clínica em iniciar hoje?
Responda as cinco perguntas
A recomendação aparece aqui, com a justificativa de cada ponto considerado.
Bloco 5 12 min
Sob medida é sempre melhor?
É a pergunta que o paciente faz e que o serviço precisa responder com dinheiro público ou privado.
A resposta honesta é: depende da condição, e em várias delas a diferença não aparece nos desfechos
que importam.
=
Fascite plantar
Ensaio duplo-cego com 142 adultos: palmilhas de EVA pré-fabricadas e customizadas tiveram efetividade semelhante sobre a dor em 8 semanas.
≈
Pé diabético neuropático
Palmilha customizada foi mais cara e não superior na redução do pico de pressão; recomendou-se considerar a pré-fabricada quando clinicamente apropriada.
NNT 4–6
Pé cavo doloroso, artrite juvenil, artrite reumatoide, hálux valgo
Revisão Cochrane encontrou benefício das palmilhas sob medida nessas condições específicas.
40%
Adesão plena declarada
No ensaio com palmilhas em diabetes, só 40% relataram o uso mínimo de 7 h por dia, 7 dias por semana. O dispositivo mais preciso não compensa o não usado.
Leitura críticaPor que a evidência é tão morna nesse tema
Três razões estruturais explicam o padrão dos resultados:
Heterogeneidade do que se chama de “customizado”. Sob medida pode ser desde um molde retificado por profissional experiente até uma espuma prensada sob o pé. Estudos que agregam essas coisas diluem o efeito.
Cegamento impossível. O paciente sabe se o dispositivo foi feito para ele, e a expectativa é parte real do efeito percebido.
Desfechos de curto prazo. A vantagem plausível do sob medida — durabilidade, tolerância cutânea a longo prazo, prevenção de lesão — exige seguimento de meses a anos, e a maior parte dos ensaios para em 8 a 12 semanas.
O que isso não significa: não significa que sob medida seja desperdício. Significa que a
indicação precisa ser justificada por um motivo mecânico concreto — deformidade, área que exige alívio
geométrico, sensibilidade ausente, carga elevada, uso prolongado — e não pelo pressuposto genérico de
que “personalizado é melhor”.
PráticaComo conversar sobre isso com o paciente
Duas frases resolvem a maior parte das conversas:
Quando a pré-fabricada basta: “Para o seu caso, a evidência mostra que o modelo pronto ajustado
funciona tão bem quanto o feito sob medida, custa bem menos e a gente começa hoje. Se em oito semanas
você não estiver melhor, reavaliamos.”
Quando o sob medida é necessário: “No seu caso existe uma deformidade que precisa de alívio em um
ponto específico. Um modelo pronto vai apoiar justamente onde não pode — por isso vale esperar a peça
feita para você.”
Registre a justificativa no prontuário. É o que sustenta a solicitação em auditoria, e é o que protege
você quando o dispositivo caro não é autorizado.
Regra de bolso defensável
Indique sob medida quando houver deformidade a acomodar, área que exige alívio geométrico
preciso, sensibilidade comprometida, carga elevada ou uso previsto por meses a anos. Nas demais
situações, comece pela pré-fabricada ajustável, ajuste de verdade e reavalie com um desfecho
medido. Isso é economia de recurso, não economia de cuidado.
Bloco 6 20 min
Quatro rotas para chegar à peça pronta
Decidido que será sob medida, resta escolher o processo. Cada rota tem parâmetros técnicos próprios —
e é aqui que os números importam de verdade.
O molde não é cópia, é projeto. O positivo de gesso é retificado antes da termoformagem:
remove-se material nas áreas tolerantes que devem receber carga e acrescenta-se nas áreas intolerantes
que precisam de alívio. Uma órtese que reproduz fielmente a anatomia sem retificação apoia exatamente
sobre as proeminências ósseas.
Metálica
Sem termoformagem
Hastes e articulações metálicas dimensionadas a partir de medidas diretas, sem necessidade de molde de gesso.
Traçado dos contornos anatômicos em papel ou diretamente sobre o membro
Mensuração de diâmetros, circunferências e alturas
Conformação de hastes e posicionamento das articulações
Fixação por rebites ou parafusos
Forração interna com espuma e revestimento em couro ou sintético
A favorDispensa molde, permite regulagem de altura e angulação ao longo do tempo, e é reparável quase indefinidamente.
LimitaçõesPeso elevado, estética desfavorável, contato pontual em vez de distribuído — o que exige forração cuidadosa sobre proeminências ósseas.
Onde essa rota está hoje
Continua sendo solução legítima em pacientes de maior massa corporal, em locais sem forno e estufa, e quando se prevê necessidade frequente de reajuste de altura em crescimento.
Termoplástico de baixa temperatura
60 – 70 °C
Placa aquecida em banho-maria ou forno seco e moldada diretamente sobre o corpo do paciente, com entrega na mesma sessão.
Desenho do molde em papel toalha e transferência para a placa
Aquecimento em água a 60–70 °C por 1 a 3 minutos
Recorte com a placa ainda quente
Moldagem direta sobre o segmento, com a articulação na posição-alvo
Resfriamento mantendo a posição, por volta de 3 a 5 minutos
Acabamento de bordas, forração e fixação de velcros
A favorEntrega imediata, ajuste perfeito à anatomia real, remodelável várias vezes com o mesmo material — ideal quando o quadro muda semana a semana.
LimitaçõesMenor resistência mecânica; deforma com calor ambiente intenso. Não deve ser lavada em água acima de aproximadamente 50 °C, nem deixada dentro de carro fechado ao sol.
Onde essa rota está hoje
É o padrão em órteses de membro superior, imobilizações pós-operatórias e órteses seriadas. A escolha do material depende de drapeabilidade, resistência ao estiramento, memória e rigidez — leia sempre a ficha do fabricante.
Termoplástico de alta temperatura
165 – 180 °C
Polipropileno ou polietileno aquecido em estufa e termoformado a vácuo sobre molde positivo de gesso.
Molde negativo em gesso sobre o paciente
Preenchimento para obter o molde positivo sólido
Retificação do positivo: alívio das áreas intolerantes e reforço das áreas de carga
Aquecimento da placa em estufa
Termoformagem a vácuo sobre o positivo, mantendo o vácuo por 8 a 10 minutos
Repouso de consolidação antes do corte
Recorte dos trimlines, polimento e prova
A favorRigidez e durabilidade compatíveis com carga de membro inferior, contato total distribuído e reprodução fiel da anatomia retificada.
LimitaçõesExige estufa, sistema de vácuo e oficina. Não se molda no paciente e correções grandes obrigam a refazer a peça.
Onde essa rota está hoje
Continua sendo a rota padrão para AFO, KAFO e TLSO definitivas em praticamente todo o mundo, inclusive nos programas do CICV em contextos de poucos recursos.
Digital: escaneamento e impressão 3D
Depende do processo
Captura da geometria por escaneamento óptico, retificação em software CAD e fabricação por usinagem do positivo ou manufatura aditiva direta.
Escaneamento óptico do segmento, sem gesso
Retificação digital do modelo em CAD, com alívios e reforços parametrizados
Escolha: usinar o positivo e termoformar, ou imprimir a peça diretamente
Impressão em FDM ou SLS, tipicamente em Nylon 12 ou compósitos
Pós-processamento, acabamento e prova
A favorArquivo reproduzível — a segunda peça é idêntica à primeira e pode ser refeita sem novo molde. Elimina o gesso, reduz armazenamento físico e permite parametrizar rigidez por espessura e geometria.
LimitaçõesCusto de entrada em equipamento e formação, tempo de impressão longo para peças grandes e ausência de padronização entre serviços.
Onde essa rota está hoje
Uma revisão sistemática atualizada até 2025 reuniu 28 estudos sobre AFOs impressas em 3D: velocidade de marcha e comprimento do passo em geral iguais ou melhores que os das AFOs convencionais, e satisfação semelhante ou superior. Porém todas as amostras tinham menos de 12 participantes e o nível de evidência permaneceu baixo. Adote pelo que já entrega — reprodutibilidade, prazo e conforto — e não por promessa de desfecho superior.
Calculadora de termoformagem
Os parâmetros abaixo seguem o guia de manufatura do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, referência
usada em programas de reabilitação física no mundo todo.
O homopolímero é mais rígido; o copolímero tolera melhor impacto e frio.
3 mm: FO/AFO infantil e membro superior · 4 mm: 65–80 kg · 5 mm: acima de 80 kg.
Temperatura da estufa
175–180 °C
Tempo de aquecimento
30 min
Vácuo após moldar
8–10 min
Consolidação
24 h
—
Fórmula do tempo: 5 min por milímetro + 10 min.
Sempre confira a temperatura real dentro da estufa com termômetro próprio — o mostrador do
controlador pode estar descalibrado.
Três erros técnicos que aparecem em apostilas
1. “Estufa a 140 °C.” Baixo demais. Homopolímero pede 175–180 °C; copolímero, 165–170 °C.
A 140 °C a placa não atinge o estado de moldagem e o resultado é uma peça com má reprodução de forma.
2. “Subir para 200–210 °C para acelerar.” Erro no sentido oposto. O polipropileno conduz mal o
calor: a superfície atinge a temperatura de moldagem, mas o miolo não. O resultado é uma peça
superficialmente boa e estruturalmente ruim.
3. Cortar e usar no mesmo dia. A literatura técnica recomenda cerca de 24 horas de consolidação
após a termoformagem. Resfriar artificialmente com ar ou água cria tensões internas anormais.
O polipropileno também contrai ao esfriar — na ordem de alguns milímetros em uma peça de perna —
e isso precisa ser antecipado na retificação.
A oficina continua existindo. Mesmo na rota digital, alguém corta, forra, costura,
rebita e ajusta. A qualidade final de uma órtese é decidida tanto no software quanto na bancada —
e a interface com a pele quase sempre é feita à mão.
Bloco 7 10 min
A prova: onde o objeto vira tratamento
A prova não é conferência de tamanho. É o momento em que você verifica, com o paciente em pé e em
movimento, se as forças estão sendo aplicadas onde você projetou — e se as regiões que não toleram
pressão foram efetivamente poupadas.
Checklist da prova
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DetalhePor que o eixo mecânico desalinhado destrói a órtese
Quando o eixo da articulação mecânica não coincide com o eixo anatômico, o membro e a órtese
descrevem arcos de raios diferentes a cada ciclo de movimento. A diferença precisa ser absorvida em
algum lugar, e ela é absorvida por deslizamento entre a órtese e a pele.
O que você observa na clínica: pistonamento — a peça sobe e desce no membro —,
atrito com hiperemia em faixa, migração progressiva do dispositivo ao longo do dia, velcros que o
paciente aperta cada vez mais para “parar de sair do lugar”, e desgaste assimétrico do revestimento.
Referências práticas: no joelho, o eixo mecânico é posicionado tomando por referência
o côndilo femoral; no tornozelo, ligeiramente inferior e anterior ao maléolo medial, aproximando-se
do eixo oblíquo real da articulação talocrural. Marque as referências no paciente antes de moldar
e confira na prova com o membro em movimento, não parado.
SinalInterpretando a hiperemia
Toda órtese deixa marca. A questão é qual marca é aceitável.
Hiperemia difusa que desaparece em poucos minutos: resposta esperada, sem ação necessária.
Hiperemia localizada que persiste até 20 minutos: limite. Reduza o tempo de uso inicial e reavalie em poucos dias.
Hiperemia que persiste além de 20 minutos: pressão acima da tolerância naquele ponto. Ajuste antes de liberar — amplie a área de contato, alivie a proeminência ou redistribua a força afastando os apoios.
Marca com bolha, descamação ou área esbranquiçada: suspenda o uso e trate a pele. Isquemia já ocorreu.
Em pele insensível a orientação muda: o paciente não vai avisar. A inspeção passa a ser
obrigatória, feita por ele mesmo com espelho ou por cuidador, e no mínimo duas vezes ao dia nas
primeiras semanas.
Bloco 8 10 min
Entrega: a consulta que define a adesão
Vimos na Aula 01 que uma parcela grande das órteses prescritas deixa de ser usada. A entrega é a
principal janela para mudar esse número — e leva quinze minutos bem gastos.
Checklist da entrega
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InstrumentoMedindo satisfação com método: QUEST 2.0 e OPUS
Perguntar “está bom?” gera resposta educada, não informação. Existem instrumentos validados para isso.
QUEST 2.0 — Quebec User Evaluation of Satisfaction with Assistive Technology.
Doze itens divididos em duas subescalas: satisfação com o dispositivo (dimensões, peso,
facilidade de ajuste, segurança, durabilidade, facilidade de uso, conforto, eficácia) e com o
serviço. Tem versão em português e boa estabilidade teste-reteste.
OPUS — Orthotics and Prosthetics Users' Survey. Desenvolvido especificamente
para usuários de órteses e próteses, inclui módulo de estado funcional de membro inferior.
Como usar sem burocratizar: aplique na consulta de retorno, não na entrega. Os itens de
peso, facilidade de ajuste e conforto são os que mais se associam a abandono — se algum deles vier
baixo, você tem um problema técnico identificável para resolver, e não uma insatisfação vaga.
Ressalva metodológica: uma análise Rasch recente apontou efeito teto importante e
confiabilidade limitada do QUEST 2.0 como medida genérica. Use como rastreio estruturado de problemas,
não como desfecho principal de pesquisa.
RoteiroO que dizer em cada minuto da entrega
Minutos 1–3: colocar e retirar. O paciente faz; você observa e corrige. Se houver hemiparesia, o teste é com uma mão só.
Minutos 4–6: explicar o mecanismo em uma frase e mostrar a diferença com e sem o dispositivo — caminhar dez metros com e sem, por exemplo. Quem sente a diferença adere.
Minutos 7–9: regime de uso escrito e progressão inicial. Entregue no papel; ninguém memoriza orientação verbal.
Minutos 10–12: higiene, sinais de alerta e canal de contato.
Minutos 13–15: inspeção da pele após o tempo de uso na consulta, registro da medida basal de desfecho e agendamento do retorno.
Note que a ordem importa: a demonstração da diferença funcional vem antes das orientações de
cuidado. Paciente que percebeu o benefício escuta o resto com outra atenção.
O elo de fechamento
A classificação em cinco eixos só produz efeito se o dispositivo for usado. Prova rigorosa, entrega
estruturada e retorno agendado antes da alta são as três condutas de menor custo e maior impacto em
toda esta aula.
Bloco 9 5 min
Caso clínico e verificação
Caso clínico — discussão em duplas, 3 minutos
M.S., 9 anos, paralisia cerebral, diplegia espástica, GMFCS nível II. Deambula com apoio
eventual. Apresenta equino dinâmico bilateral e contratura de tríceps sural com dorsiflexão passiva
até −5° à direita. Recebeu toxina botulínica há 10 dias. Sensibilidade preservada. Está em fase de
crescimento acelerado.
Classifique nos cinco eixos e justifique: (1) sigla ISO; (2) categoria funcional para a fase
atual, logo após a toxina; (3) controle articular desejado no tornozelo; (4) origem da confecção;
(5) tempo de uso previsto e implicação para a escolha do material.
Pergunta extra: qual estratégia funcional muda depois que a dorsiflexão passiva chegar a 10°?
Quiz de verificação
Oito questões com justificativa imediata.
Questão 01
Uma AFO articulada com batente que impede a flexão plantar além de 0°, sem nenhum elemento elástico, classifica-se funcionalmente como:
Justificativa: Ter dobradiça não torna a órtese dinâmica. Dinâmica é a que aplica força ativa por mola ou elástico. Um batente apenas restringe — logo, controle do tipo bloqueio, categoria funcional estática.
Questão 02
Qual a diferença essencial entre órtese estática progressiva e órtese dinâmica?
Justificativa: Rosca, catraca ou cinta inextensível mantêm o tecido na posição de fim de amplitude e permitem relaxamento viscoelástico. A dinâmica puxa continuamente com mola ou elástico.
Questão 03
Criança com paralisia cerebral, espasticidade importante de tríceps sural e contratura em equino. Qual abordagem de mobilização é preferível?
Justificativa: O estiramento elástico contínuo pode disparar resposta reflexa e agravar a espasticidade. A estática seriada mantém posição sem tração ativa e não depende da colaboração para regular tensão.
Questão 04
Segundo o guia de termoformagem do CICV, a temperatura de estufa para polipropileno homopolímero e o tempo de aquecimento de uma placa de 4 mm são, respectivamente:
Justificativa: Homopolímero: 175–180 °C; copolímero: 165–170 °C. O tempo estimado é 5 minutos por milímetro mais 10 minutos — para 4 mm, 30 minutos. Elevar a estufa a 200–210 °C para acelerar é erro: o polipropileno conduz mal o calor e o miolo da placa não atinge a temperatura.
Questão 05
Sobre palmilhas sob medida comparadas com pré-fabricadas na fascite plantar, a evidência disponível indica que:
Justificativa: Um ensaio duplo-cego com 142 adultos comparou palmilhas de EVA pré-fabricadas e customizadas na fascite plantar não complicada e encontrou efetividade semelhante em 8 semanas. Revisões também não mostram superioridade consistente das customizadas para dor no pé em geral.
Questão 06
Em pessoas com diabetes e neuropatia, o ensaio que comparou palmilhas customizadas com pré-fabricadas concluiu que:
Justificativa: O ensaio randomizado com cegamento do participante encontrou diferenças modestas na integral pressão-tempo, custo significativamente maior para a customizada e nenhuma diferença na percepção do paciente — recomendando a pré-fabricada quando clinicamente apropriada.
Questão 07
Na prova de uma KAFO, o eixo mecânico do joelho mal posicionado produz principalmente:
Justificativa: Quando os eixos mecânico e anatômico não coincidem, a órtese e o membro descrevem arcos diferentes a cada passo. O resultado é deslizamento relativo, atrito, lesão de pele e perda progressiva do alinhamento.
Questão 08
Sobre a entrega da órtese, qual conduta está correta diante de hiperemia que persiste 40 minutos após a retirada?
Justificativa: Hiperemia que não desaparece em até 20 minutos indica pressão acima da tolerância tecidual naquele ponto. É indicação de ajuste — ampliar área de contato, aliviar a proeminência ou redistribuir a força —, nunca de adaptação progressiva.
0 de 8 corretasResponda para acompanhar o seu desempenho.
Para a próxima aula
Escolha uma órtese qualquer — de estágio, de catálogo de fornecedor ou da sua família — e escreva a
prescrição completa nos cinco eixos, em uma única frase, seguida da justificativa de cada escolha.
Traga também uma dúvida técnica sobre a rota de confecção que você escolheu.
Fontes
Referências e leitura dirigida
Os itens de ensaio, revisão, norma e manual técnico sustentam as afirmações
quantitativas apresentadas nesta aula.
LivroCarvalho JA. Órteses: um recurso terapêutico complementar. 2ª ed. Barueri: Manole, 2013.
LivroJacobs MA, Austin NM. Orthotic Intervention for the Hand and Upper Extremity: Splinting Principles and Process. 3rd ed. Wolters Kluwer, 2021.
NormaISO 13404-1:2024 — External orthoses and orthotic components — Part 1: Uses, functions, classification and description of lower limb orthoses.Acessar →
NormaISO 8549-3:2020 — Prosthetics and orthotics — Vocabulary — Part 3: Terms relating to external orthoses.
Manual técnicoComitê Internacional da Cruz Vermelha. Manufacturing Guidelines: Thermoforming Polypropylene. Genebra: CICV, 2015.Acessar →
EnsaioLandorf KB et al. / Ensaio duplo-cego sobre palmilhas de EVA pré-fabricadas e customizadas na fascite plantar não complicada. Arch Phys Med Rehabil, 2009.Acessar →
EnsaioBus SA, Ulbrecht JS et al. A comparison of customised and prefabricated insoles to reduce risk factors for neuropathic diabetic foot ulceration. Ensaio randomizado com cegamento do participante.Acessar →
RevisãoCADTH. Custom-Made Foot Orthoses versus Prefabricated Foot Orthoses: A Review of Clinical Effectiveness and Cost-Effectiveness. Ottawa, 2019.Acessar →
RevisãoWojciechowski E et al. Feasibility of designing, manufacturing and delivering 3D printed ankle-foot orthoses. Revisão sistemática atualizada, 2025.Acessar →
InstrumentoDemers L, Weiss-Lambrou R, Ska B. Quebec User Evaluation of Satisfaction with Assistive Technology (QUEST 2.0). Instrumento de 12 itens: satisfação com o dispositivo e com o serviço.
LegislaçãoCOFFITO. Resolução nº 548/2021 — atuação do fisioterapeuta em oficinas ortopédicas.Acessar →
As fotografias reproduzidas nesta página integram o acervo didático da disciplina e são usadas
exclusivamente para fins educacionais. Os diagramas são originais, produzidos para esta aula.